Casos de sífilis aumentam 1.031% em Campinas em 6 anos; veja como tratar | Campinas e Região

Casos de sífilis aumentam 1.031% em Campinas em 6 anos; veja como tratar | Campinas e Região
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Os registros no Devisa saltaram de 121 pessoas em 2010 para 1369 em 2016. Só este ano já foram contabilizadas 694 ocorrências na cidade.

Número de casos de sífilis em Campinas aumenta em mais de 1000% desde 2010

Número de casos de sífilis em Campinas aumenta em mais de 1000% desde 2010

O número de casos de sífilis em Campinas (SP) aumentou 1.031% nos últimos seis anos. A doença, com transmissão predominantemente sexual, é de notificação obrigatória. De acordo com o Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa), os registros saltaram de 121 pessoas em 2010 para 1369 em 2016. Só este ano já foram contabilizadas 694 ocorrências.

A médica infectologista do Devisa Valéria Almeida alerta que a doença pode passar despercebida para algumas pessoas, por se tratar de uma ferida, muitas vezes pequena, e indolor. Nas gestantes doentes, inclusive, a mulher pode transmitir para o bebê.

“Essa ferida pode aparecer em qualquer região que tenha tido um contato sexual, inclusive na boca. Muitas vezes a pessoa não procura o médico por causa dessa ferida, que é indolor e que desaparece depois de uma semana”, afirma a médica.

Segundo os dados divulgados pelo Devisa, considerando o número total de casos desde 2010 – 6.158 até 21 de julho -, 45,6% das pessoas contaminadas têm entre 10 e 34 anos.

Considerando a população sexualmente ativa, de 20 a 34 anos, foram 2234 casos desde 2010, ano em que a notificação passou a ser obrigatória.

Teste rápido pode detectar sífilis em uma hora (Foto: Tássio Andrade/G1)Teste rápido pode detectar sífilis em uma hora (Foto: Tássio Andrade/G1)

Teste rápido pode detectar sífilis em uma hora (Foto: Tássio Andrade/G1)

A infectologista explica que a sifilis tem quatro fases clínicas. A sifilis primária é quando a pessoa acabou de adquirir e a doença se manifesta com uma ferida na região genital.

A secundária afeta aqueles que não identificaram e trataram a fase primária. Em até seis meses podem aparecer manchas pelo corpo, febre baixa e perda de cabelo.

Em seguida, a fase terciária só é percebida entre 10 e 30 anos após o momento em que a sífilis foi adquirida. Mais grave, podem aparecer alterações cardíacas, quadros de acidente vascular cerebral (AVC) e aneurisma de aorta.

A última forma possível de apresentação da doença é quando a pessoa tem a bactéria, mas não manifesta os sintomas. É a forma latente. Só é possível detectar com exame de sangue.

Casos de sífilis em Campinas

2010 121
2011 547
2012 863
2013 1030
2014 1033
2015 1193
2016 1369
2017 (até 21 de julho) 694

No caso das gestantes, o exame para verificar sífilis é feito como parte do pré-natal, no entanto, segundo a médica, em alguns casos, ele não é solicitado por médicos da rede particular.

Se a gestante não tratar, o bebê, além de nascer infectado, pode ter más formações na arcada dentária, ossos pelo corpo e outras complicações graves que podem levar à morte.

o adulto não tratado pode ter risco aumentado de avc e aneurisma de aorta, que, quando não diagnosticados precocemente e tratados podem levar à morte.

Perfil dos casos de sífilis em Campinas

Ano 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 e 34 anos
2010 0 3 40
2011 0 11 186
2012 2 45 331
2013 2 71 390
2014 4 73 345
2015 4 75 432
2016 1 114 510
2017 2 36 321
Total 13 392 2234

Identificação e tratamento

A sífilis não é difícil de ser tratada, segundo Valéria. O paciente recebe de uma a três doses do antibiótico injetável penicilina benzatina, conhecida popularmente como benzetacil, de acordo com a fase da doença em que ele está.

Nas gestantes que apresentaram resultado positivo para a doença, são aplicadas três doses. “A medicação não afeta a gestação e é segura para o bebê e para a grávida”, afirma Valéria.

A infectologista ressalta que o tratamento precisa ser feito junto com o parceiro, pois há o risco da mulher ser infectada novamente ainda durante a gestação. Valéria relata que há resistências em relação ao tratamento.

“Tem desde a mulher com sifilis que não quer contar para o parceiro, que pode achar que ela teve uma relação extraconjugal; tem bastante casos de parceiros que se negam a tratar; e tem casos de parceiros que tomam uma dose e não voltam a tratar”, afirma a médica.

Um exame para verificar a infecção pela bactéria causadora da sífilis pode ser feito por todas as pessoas, em Campinas, nas unidades básicas de saúde.

Também há a disponibilidade de um teste rápido, com resultado em 1 hora, nos dois Centros de Testagem e Aconselhamentosda cidade. Os CTAs são localizados no Hospital Ouro Verde (das 8h às 18h) e no Centro, Rua Regente Feijó, 637 (das 10h às 17h).



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