Cidades comerciais ou com peregrinos são mais vulneráveis a epidemias | Ciência e Saúde

Cidades comerciais ou com peregrinos são mais vulneráveis a epidemias | Ciência e Saúde
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Pesquisadores analisaram expansão da peste negra, que arrasou a Europa em meados de século XIV e que matou, aproximadamente, 60 milhões de pessoas.

Restos de cinco pessoas que morreram pela peste negra há mais de 650 anos (Foto: Museu de Londres/Divulgação)Restos de cinco pessoas que morreram pela peste negra há mais de 650 anos (Foto: Museu de Londres/Divulgação)

Restos de cinco pessoas que morreram pela peste negra há mais de 650 anos (Foto: Museu de Londres/Divulgação)

Um estudo realizado por pesquisadores do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC) e publicado nesta segunda-feira (6) na revista “Scientific Reports”, revelou que as populações que moram em zonas comerciais ou em rotas de peregrinação são mais vulneráveis às epidemias

Os pesquisadores analisaram a expansão da peste negra, que arrasou a Europa em meados de século XIV e que acabou com a vida de, aproximadamente, 60 milhões de pessoas (entre 30% e 50% da população europeia).

“Essa pandemia aconteceu em um momento da história em que as comunicações eram frequentes”, o que permite analisar as redes e revelar padrões “com mais clareza”, segundo Miguel Verdú, cientista do Centro de Pesquisas sobre Desertificação e coautor do estudo, que lamenta que a desvantagem foi “não dispor de fontes rigorosas sobre mortalidade”, lamenta.

A epidemia, que começou na Ásia Central, chegou ao Ocidente através da Rota da Seda e, em 1343, chegou à antiga cidade de Caffa (atual Feodosia), na península da Crimeia. Daí, a peste se espalhou por todo o continente e chegou a quase todas as populações seguindo as principais rotas comerciais e as vias de peregrinação.

O trabalho apresenta dados de 2.084 pontos de conexão, comerciais e de peregrinação, e 1.311 assentamentos medievais da Europa, Ásia e Norte da África. Também aponta como fator de dispersão as rotas de peregrinação, porque dessas 1.311 cidades, 403 estavam conectadas por este tipo de itinerário.

“Sem dúvida as rotas de peregrinação também contribuíram para expandir a doença, embora nossas análises sugiram que foram menos importantes do que as rotas comerciais”, explica José María Gómez, pesquisadora da Estação Experimental de Zonas Áridas do CSIC e coautora do estudo.

A partir dos dados recolhidos, ambos os pesquisadores determinaram empiricamente o peso da ‘conectividade’ e ‘centralidade’ dessas cidades em relação à taxa de mortalidade causada pela peste negra, e simularam matematicamente a frequência com que a doença chegava às cidades em consequência de sua disposição dentro da rede.

“As cidades com uma posição mais central dentro da rede e as mais conectadas eram mais vulneráveis às doenças e sofreram a praga com maior severidade. Além disso, eram mais propensas a que os surtos se repetissem por causas externas”, precisa Gómez.

Segundo os autores, o estudo proporciona um método simples para identificar os lugares de risco nas redes epidêmicas. Na opinião deles, concentrar esforços nos pontos mais vulneráveis poderia economizar tempo e recursos e melhorar a gestão do controle de pragas fatais.

“Vivemos em uma época em que as redes de transporte e a nossa vulnerabilidade podem ser determinados de forma mais exata. É vital comprovar se o padrão encontrado neste estudo para as redes medievais é mantido atualmente”, conclui Verdú.



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