Fani Pacheco diz que engordou 15 kg por tristeza: “Comer era o único prazer que eu tinha” – Notícias

Fani Pacheco diz que engordou 15 kg por tristeza: “Comer era o único prazer que eu tinha” – Notícias
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Especialista afirma que casos de compulsão alimentar são comuns depois de fases difíceis

Famosa por participar de um reality show em rede nacional, Fani Pacheco, de 34 anos, voltou a chamar atenção na mídia após aparecer mais cheinha. A atriz e apresentadora postou um vídeo em uma rede social tentando entrar em uma calça jeans e até brincou que poderia se tornar modelo plus size. Ao R7, ela diz se achar bonita, mas passou por um período difícil após a morte da mãe. Ela engordou 15 kg em nove meses e afirma sentir na pele o preconceito por estar acima do peso.

— O julgamento das pessoas é muito pesado, ainda mais se você é famoso. Me diziam “Nossa como você engordou” ou “Como você se deixou chegar nesse ponto? ”, como se fosse gravíssimo o fato de engordar. Ninguém quer saber se você passou por alguma coisa e não tem cuidado na hora de falar. Eu sou um ser humano.

Em 5 de junho de 2014, a mãe da Fani morreu vítima de uma infecção hospitalar. Durante todo o processo burocrático de liberar corpo e providenciar o enterro, a apresentadora estava trabalhando muito porque queria manter a cabeça ocupada, afirma.

— Eu queria muito parar aquele sofrimento e, mesmo triste, saía com as amigas e sempre tentava fazer alguma coisa. Não me dei tempo e não vivi o luto e não percebi que estava fazendo isso de propósito. Eu não queria que aquela tristeza atrapalhasse a minha vida.

Em janeiro de 2016, a apresentadora começou a sentir dificuldade para sair de casa.

— Só saía para trabalhar e, do nada, chorava durante os trabalhos, na academia, na maquiagem. Estragava toda a maquiagem, aí eu lavava o rosto e fazia tudo de novo. Não conseguia dirigir.

Fani explica que foi nessa fase que começou a engordar porque descontava a angústia que sofria na comida.

— Eu não tinha vontade de fazer nada e ia na comida. Comer era o único prazer que eu tinha. Comia pelo menos uma barra grande de chocolate todos os dias. Era muita cerveja, churrasco etc. Parei de malhar porque também chorava na academia, na praia. A minha vida social só não desapareceu porque, de vez em quando, saía com o meu noivo. Enquanto eu comia, eu estava feliz. Passei nove meses comendo e chorando.

“Percebi que tinha algo errado”

Após perceber que estava com problemas sérios, Fani procurou o seu psiquiatra. Ela desconfiava de que estava com depressão, pois já sofre com a doença desde os 16 anos. Fani explica que, desde que foi diagnosticada, toma medicamento de forma contínua para evitar crises.

— Eu percebi que tinha algo errado e procurei o meu psiquiatra que disse que o meu problema não era depressão, mas sim tristeza. Eu tomo remédio contínuo porque a minha depressão é ideológica, que não depende de circunstâncias, porque o meu cérebro não fabrica determinadas substâncias suficientes. Seu paro de tomar, a depressão volta.

Fani teria dito ao profissional que não acreditava no diagnóstico porque a morte da mãe dela tinha mais de dois anos antes. Mesmo assim, ela decidiu fazer terapia com uma psicóloga e seguir suas recomendações.

— A psicóloga disse que eu não tinha vivido o luto pela minha mãe e me sugeriu voltar ao cemitério. A conclusão dela era de que a minha tristeza era a única coisa que me ligava a minha mãe e que, por isso, eu não me desapegava daquela tristeza, inconscientemente. Mas eu só fui ao cemitério em novembro de 2016. Sentei na grama sozinha, chorei muito e rezei por ela. Uns três dias depois, eu acordei feliz e voltei a sentir vontade de fazer coisas. Se eu soubesse, teria ido ao cemitério antes.

A aceitação do corpo

Em nove meses, o peso de Fani saltou de 65 kg para 80 kg, em um corpo de 1,66 m. Ela diz ter se incomodado com a nova silhueta no início, mas depois desencanou.

— Eu não gostei porque as minhas roupas tamanho 40, que eram as maiores que eu tinha, já não me serviam mais. Eu ia botar roupa e não entrava, o vestido estourava. Eu queria emagrecer para caber na roupa, mas não consegui entrar no ritmo. Aí desisti. Não queria saber e assumi o momento que estou vivendo. Comprei roupa tamanho 42 e 44.

Com os quilos a mais, Fani diz ter sentido mudança em relação aos trabalhos para campanha publicitária. As ofertas diminuíram, mas ela não se importava. De acordo com a atriz, foi difícil se assumir fora do padrão considerado ideal para as campanhas e para a mídia.

— Até brinquei que viraria modelo plus size porque estou feliz agora. Voltei a malhar porque eu gosto de musculação e fazer exercícios na praia. Eu curto essa parte de liberar endorfina e estou comendo de forma mais saudável, sem dieta rígida. Mas precisei parar com os exercícios porque escorreguei e quebrou o dedo do pé.

Fani conta que se aceita o corpo como ele está hoje e não tem pressa de voltar à antiga forma.

— Eu sempre fiz esportes e comecei a praticar musculação aos 15 anos. Meu manequim variava entre 38 e 40. Durante a semana, eu focava em alimentação saudável, mas, aos fins de semana, comia o que queria, porque sempre gostei de comer. Eu era magra porque malhava. Agora, sou uma gordinha sexy. Talvez eu emagreça naturalmente porque vou voltar a malhar e gosto de ser durinha, sem celulite, mas sem aquela pressão.

Compulsão alimentar é comum

De acordo com a endocrinologista Paula Pires, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), casos de compulsão alimentar são muito comuns depois de períodos de tristeza, luto e depressão. E existem quatro principais motivos para isso.

— A primeira causa é que o paciente que passa por um período de muita tristeza sofre mudança bioquímica cerebral. A fabricação de duas substâncias que são responsáveis por regular o humor — serotonina e a dopamina, neurotransmissoras da felicidade e do prazer, respectivamente —, diminuem. Para normalizar esses níveis, o cérebro estimula a pessoa a procurar carboidrato de qualquer maneira. Por isso, dá mais vontade de comer coisas calóricas e doces, como mecanismo de defesa, sem perceber.

Segundo Paula, outro motivo é que o luto gera estresse e ansiedade, que aumentam os níveis de cortisol e adrenalina. Esses dois hormônios diminuem a concentração, a capacidade de memória e interferem no sono.

— A pessoa pensa em como viver sem o ente querido, como vai ser a vida, o que vai fazer etc. Nessa fase, a última coisa que se pensa é em dieta. Se a pessoa não dorme direito, ela vai pegar a primeira coisa que vê pela frente.

O terceiro motivo é o uso de medicamentos. A endocrinologista explica que, muitas vezes, a pessoa procura um psiquiatra para tratar depressão ou outro problema e, dependendo da escolha, o medicamento reduz o metabolismo do paciente, fazendo ele engordar

— Isso é muito comum. Por isso, é necessário um tratamento amplo com vários profissionais para combater os efeitos colaterais da medicação ou trocar o remédio porque, às vezes, a gordura vai fazer o paciente se sentir pior a longo prazo.

Ainda de acordo com Paula, o quarto motivo é bebida alcoólica.

— É comum usar o álcool para se acalmar, relaxar, dormir ou ficar alegre nesses momentos difíceis, mas a bebida é muito calórica. Dependendo do uso, o paciente pode engordar.

Como não engordar

Para a especialista, é importante que o paciente se trate com um médico porque os hormônios alterados.

— Se o paciente engordar mais de 10 kg, a leptina [hormônio que ajuda na saciedade], deixa de agir. Então, quanto mais a pessoa engorda, mais fome ela tem. Por isso, o segredo é prestar atenção no peso e não engordar. Uma vez que você engorda, fica mais difícil emagrecer. O corpo tem memória de gordura adquirida e vai querer voltar ao maior peso que a pessoa já teve. Se viu que engordou 4 ou 5 kg, já procure ajuda.

Ainda segundo a médica, alguns tipos de alimentos podem ajudar a diminuir a compulsão.

— Alimentos ricos em ômega 3, como salmão, atum e linhaça, auxiliam no combate ao estresse. Carboidratos complexos, como alimentos integrais, cereais e batata-doce ajudam na saciedade porque têm absorção mais lenta.



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