G1 – Pesquisa da Unicamp liga ‘Saúde da Família’ à redução de infartos e AVCs

G1 – Pesquisa da Unicamp liga ‘Saúde da Família’ à redução de infartos e AVCs
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A Faculdade de Odontologia da Unicamp, em Piracicaba  (Foto: Cesar Maia-FOP Unicamp)Pesquisa da FOP relaciona PSF com redução nos casos AVC e infartos (Foto: Cesar Maia-FOP Unicamp)

A atenção básica desenvolvida na rede pública, por meio de ações voltadas à chamada “Saúde da Família”, é capaz de reduzir casos de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVC), segundo uma pesquisa da Unicamp com dados de 645 municípios paulistas. O estudo foi feito no campus de Piracicaba (SP) e considerou indicadores entre 1998 e 2013.

O resultado aponta que quanto maior a cobertura de assistência por meio do Programa Saúde da Família (PSF), menores são os indicadores de AVC e infarto. O trabalho é da cirurgiã-dentista Denise Cavalcante, durou 15 meses e foi elaborado dentro do Programa de Mestrado Profissional em Saúde Coletiva da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP).

No período estudado de 15 anos, o indicador de infarto sofreu queda de 56,5%. Passou de uma média de 26,9 casos a cada 10 mil habitantes para 11,7 casos.

Médicos devem ser capacitados em saúde da família (Foto: Reprodução/TVCA)Médico atende paciente em ação de saúde
da família (Foto: Reprodução/TVCA)

“Nos casos de AVC, percebemos que nos primeiros anos os índices cresceram e com a implantação dos PSFs começaram a regredir”, explica a pesquisadora. Os AVCs chegaram a 11 registros, em média, a cada 10 mil habitantes em 2004. Em 2013, o índice médio era de 6 casos.

“É uma prova de que quando esses cuidados da atenção básica são diferenciados junto à comunidade e à família, são mais efetivos”, afirma Denise.

Ainda de acordo com a pesquisadora, as implantações das equipes de saúde nas cidades se mostraram efetivas e atuantes nestes indicadores. “Isto porque além de ter acesso à consulta médica, o paciente tem atenção de diferentes profissionais, como agente comunitário de saúde, enfermeiro, equipe técnica auxiliar e equipe de saúde bucal”.

De acordo com Denise, o levantamento também aponta resultados positivos na distribuição gratuita de medicamentos e na inserção dos Núcleos de Apoio a Saúde da Família (Nasf), assim como o desenvolvimento de trabalho por meio de equipes multiprofissionais que incluem nutricionista, psicólogo, fisioterapia, educador físico, entre outros.

As informações de casos de AVC e infarto foram coletadas junto ao Sistema de Informação Nacional (Datasus), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Infraestrutura
De acordo com Denise, os gestores e o controle social tem papel primordial na política local. “O investimento em atenção básica deve necessariamente incluir melhorias de infraestrutura com as devidas manutenções das unidades de saúde e de seus equipamentos”, afirma.

“A qualificação das equipes tem que ser constante e esta deve encontrar o sentido do porque fazer, trabalhando firme no controle dos indicadores. A sociedade precisa entender minimamente este processo e cobrar seus direitos constitucionais”, complementa.

Estratégia
A coordenadora do curso de enfermagem da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Tereza Mitsue Horibe, explica que o PSF nasceu para atender os princípios do SUS. “A iniciativa visa a inclusão e participação da população. Os profissionais vão ao encontro das pessoas nos seus bairros”, disse. “Esta é uma das melhores estratégias que há mundialmente. Ela leva a pessoa a ter vínculo dentro do seu território com profissionais que orientam e dão diretrizes que provocam o bem-estar”, acrescenta.

Apesar da avaliação positiva, a docente afirma que o desafio é fazer com que a população promova mudanças de hábitos. “O AVC e o infarto muitas vezes são causados pelo estilo de vida. Muitas pessoas são sedentárias, consomem álcool, tabaco ou estão obesas”, explica.

Para Tereza, alimentação saudável e prática de exercícios físicos precisam de orientação. “Sabemos das dificuldades, mas seria importante que a população tivesse acesso a práticas alternativas como homeopatias, acupuntura e ginásticas. São alternativas que também ajudariam na melhora destes indicadores”, opina. “Não adianta apenas colocar academias ao ar livre, por exemplo, sem que se tenha um educador físico para orientar e incentivar a população”, finaliza.



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