Jovem de 21 anos sobrevive ao câncer após perder os dois ovários e o útero: ‘Escolhi não poder engravidar a morrer’ – Notícias

Jovem de 21 anos sobrevive ao câncer após perder os dois ovários e o útero: ‘Escolhi não poder engravidar a morrer’ – Notícias
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Diagnosticada com câncer aos 21 anos, a jovem Amanda Cabral Vieira Benites, já passou por três cirurgias para tirar os dois ovários e o útero. Ela abriu mão de engravidar para sobreviver ao câncer. Depois de passar por tudo isso, existe uma lição que a jovem Amanda Cabral Vieira Benites, hoje aos 25 anos, pretende passar para outras mulheres: a de que sempre há esperança.

Geralmente, o câncer no ovário só se manifesta a partir da menopausa, período em que as mulheres deixam de ovular, o que costuma ocorrer entre os 49 e 52 anos. Para Amanda, no entanto, ela chegou bem mais cedo por conta de ter tirado todo seu aparelho reprodutor.

Tudo começou em 2011, quando Amanda tinha 23 anos e soube que tinha câncer no ovário. Embora a situação da jovem já fosse grave naquela época, ao verificar a existência da doença, o médico ginecologista que cuidava dela preferiu que ela somente tivesse o ovário esquerdo removido. Assim, ela ainda poderia ter chances de engravidar um dia.

— Ele fez isso comigo, mas eu já tinha noção que eu tinha me tornado infértil. Entre continuar com o câncer no ovário correndo o risco de morrer ou me livrar da doença, eu escolhi sobreviver. Ele até falou para mim: “Você pode se arrepender no futuro”, mas para eu me arrepender eu primeiro preciso estar viva, né?

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Depois desse episódio, a jovem natural de Maringá, no interior do Paraná, veio para São Paulo e ainda passou por mais duas cirurgias no hospital A.C. Camargo: uma para avaliar a extensão da doença e outra chamada de citorredução, que consiste na retirada de todos os órgãos e tecidos afetados. No caso de Amanda, foram removidos o ovário direito, o útero e partes da bexiga e do intestino.

Por mais que essa decisão seja difícil, a professora e tradutora diz que as mulheres precisam ter em mente que elas devem fazer qualquer coisa para que a doença retorne, inclusive abrir mão de uma futura gravidez.

— Se der para você poupar, você deve fazer isso. Mas nunca correr o risco de ter uma recidiva (quando o câncer de ovário retorna).

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O que mais intriga especialistas até hoje no caso de Amanda é que não existe nenhuma explicação convincente para a ela ter desenvolvido câncer. Após uma série de exames, entre ultrassonografias, ressonâncias magnéticas, tomografias, exames de sangue e biopsias, não se chegou a nenhuma conclusão. Nem mesmo fatores hereditários puderam ser considerados, já que não houve nenhum caso de câncer de ovário na família de Amanda.

— Foi uma surpresa até para os médicos. Eu não tinha histórico familiar nenhum e todos os meus exames davam negativo para mutações no BRCA 1 e 2 (genes associados ao desenvolvimento de câncer de ovário e câncer de mama).

Agora, Amanda já está há dois anos e meio fazendo os acompanhamentos para sempre verificar se a doença não retorna. Ela trabalha normalmente como tradutora e continua os estudos normalmente.

Como quebrar o tabu?

Para quebrar o tabu que existe até hoje em torno do câncer de ovário, Amanda aproveita o perfil diferenciado que ela tem para usar a internet e tirar muitas dúvidas das pacientes.

Ela usa dois instrumentos para isso, um blog chamado “Tira o lenço e vai ser feliz” e um canal no YouTube, onde ela tem vídeos que ela explica como foi o caso dela e comenta as novidades no tratamento de câncer de ovário, inclusive de institutos internacionais e publicações científicas.

Essa ajuda online logo surtiu bons efeitos entre os grupos de discussões de câncer de ovário, entre elas a professora de educação infantil Andrea Lira, de 40 anos, e a aposentada Nanci Venturini, de 52 anos. “Eu estava com uma barriga enorme. Parecia que eu estava gestante”, diz Nanci.

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Só que diferente do que aconteceu com Amanda, Andrea e Nanci tiveram os sintomas mais claros que podiam indicar câncer de ovário, embora tenham sido diagnosticadas somente quando a doença estava bem avançada. Entre os sintomas estavam inchaço abdominal, dores lombares, vontades frequentes de urinar, desarranjos intestinais e ganho e perda de peso excessivos. “No começo do ano passado eu fazia meus exames e os resultados davam normais, mas em março eu comecei a sentir muitas dores no abdômen e foi coisa de cinco minutos para ela ficar insuportável”, explica Andrea.

— A dica que a gente dá é que as mulheres fiquem atentas a qualquer sinal. Eu mesma confundi os meus sintomas com um cisto hemorrágico que eu tive quando era mais nova. Eu achava que era uma coisa mais simples.

Em julho, Andrea passou por uma histerectomia total por causa de um tumor de 8 cm de diâmetro que estava próximo à parede do ovário.

*Caíque Alencar, do R7



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