Morte de ex-Além do Peso: riscos da cirurgia bariátrica são extremamente baixos, diz médico – Notícias

Morte de ex-Além do Peso: riscos da cirurgia bariátrica são extremamente baixos, diz médico – Notícias
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Pedro Paulo Domingues, o Pepê, sofreu embolia pulmonar seguida de parada cardíaca

O ex-participante do reality show “Além do Peso” Pedro Paulo Domingues morreu, na terça-feira (7), em decorrência de complicações após uma cirurgia bariátrica. Domingues, que tinha 27 anos e estava com 140 kg, viu na operação a melhor saída para a perda de peso. Segundo Caetano Marchesini, endocrinologista e presidente da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), os riscos de óbito em decorrência da cirurgia bariátrica são de 0,2%.

— É o mesmo risco de uma cirurgia de vesícula ou de uma cesárea. É raro, mas acontece. Em questões práticas significa que dois em cada mil pacientes operados pode morrer. 

Depois de participar do programa, em 2014, Pedro Paulo chegou a emagrecer 50 kg, mas voltou a engordar.

Cirurgia em detalhes

De acordo com Marchesini, a cirurgia bariátrica consiste em uma intervenção que modifica a estrutura anatômica do aparelho digestivo. A operação diminui a superfície intestinal e o estômago do paciente — que, por conta desta restrição, acaba por emagrecer. Além disso, a bariátrica favorece a produção de hormônios que diminuem o apetite e reduz os riscos de doenças decorrentes do sobrepeso, como diabetes e hipertensão.

Para se submeter a uma cirurgia bariátrica, a pessoa deve ter IMC (Índice de Massa Corpórea) superior a 35 e sofrer de enfermidades associadas à obesidade. Precisa ainda ter passado por, no mínimo, dois anos de tratamentos clínicos para emagrecimento, de acordo com o médico.

— Quando o IMC é superior a 40, que é considerado já um peso mórbido, a cirurgia bariátrica é recomendada independentemente das doenças associadas. É importante ainda ressaltar que a obesidade é uma doença como qualquer outra e preocupa as autoridades de saúde mundiais. Um paciente com obesidade mórbida corre o risco de ter complicações e de morrer de dez a quarenta vezes mais que uma pessoa da mesma idade com peso normal.

Informações veiculadas pelo Balanço Geral dão conta de que Pedro Paulo Domingues passou pela cirurgia no dia 2 de março e foi a óbito depois de sofrer uma embolia pulmonar seguida de parada cardíaca. A embolia acontece quando bolhas de ar, coágulos sanguíneos ou mesmo a gordura que circula pelo corpo obstrui as artérias do pulmão.

O presidente da SBCBM explica que complicações desse tipo no pós-operatório não são comuns, mas podem ocorrer em torno de 1% dos casos. A complicação mais recorrente da cirurgia é a fístula — que ocorre quando o conteúdo do intestino transborda para a cavidade abdominal. “Isso acontece quando o paciente apresenta uma reação alérgica aos ‘grampos’ utilizados para reduzir o aparelho digestivo. Esses ‘grampos’ acabam se soltando”, explica.

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Técnica menos invasiva

Atualmente, as cirurgias bariátricas realizadas na rede privada de saúde são feitas por meio da videolapaoscopia, diz Marchesini.

— A videolaparoscopia muda a via de acesso da cirurgia. Em vez de fazer um corte grande na região abdominal, de 15 ou 20 cm, faz-se pequenos furos. Através desses furos, são inseridos pequenos tubos com câmeras e pinças na barriga do paciente. O cirurgião faz a operação olhando para uma tela onde é projetada a cavidade abdominal.

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O médico afirma que vantagem é que, quando não se faz um corte tão grande no abdômen, o paciente se recupera melhor, porque tem menos dor. Fora isso, sem o corte grande são reduzidos os riscos de consequências como hematomas, hérnias e infecções. Por ser menos invasiva, a videolaparoscopia também garante um tempo menor de recuperação do paciente — que, em alguns casos, pode retornar à rotina normal em 15 dias após a operação. No caso da cirurgia bariátrica realizada pela forma laparotômica (com cortes abertos), a recuperação leva, em média, 60 dias. 

No SUS (Sistema Único de Saúde), a cirurgia bariátrica por meio de videolaparoscopia passou a ser oferecida desde o dia 1 de fevereiro de 2017, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União. A previsão é de que a maioria dos procedimentos que, até janeiro, eram conduzidos pela forma laparotômica, passe a ser conduzida pela forma menos invasiva. 



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