Mortes, medo e o avanço da epidemia de febre amarela em Campinas no final do século XIX | SP / Campinas e Região

Mortes, medo e o avanço da epidemia de febre amarela em Campinas no final do século XIX | SP / Campinas e Região
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Impactos, dramas vivenciados pela população que não entendia como a doença era transmitida, além do retorno na forma silvestre são assuntos da série ‘A Peste’, da EPTV.

Epidemia chegou de trem em Campinas em 1897 (Foto: Reprodução/ EPTV)Epidemia chegou de trem em Campinas em 1897 (Foto: Reprodução/ EPTV)

Epidemia chegou de trem em Campinas em 1897 (Foto: Reprodução/ EPTV)

Em fevereiro de 1889, a riqueza do café impulsiona a economia de Campinas (SP). O município competia com São Paulo para ser a capital do estado. No entanto, a chegada da febre amarela interrompeu a efervescência política e social vivida pelo município. Foram três mil mortos e seis epidemias em nove anos.

Os impactos, os dramas vivenciados pela população que não entendia como a doença era transmitida, além do retorno da febre amarela neste ano, na forma silvestre, são assuntos da série “A Peste”, produzida pela EPTV, Afiliada TV Globo, que começa nesta segunda-feira (15). Serão quatro reportagens especiais que vão relembrar esse capítulo marcante da história do município.

Rua Dr Quirino, na época da epidemia de febre amarela, em Campinas (Foto: Acervo MIS Campinas)Rua Dr Quirino, na época da epidemia de febre amarela, em Campinas (Foto: Acervo MIS Campinas)

Rua Dr Quirino, na época da epidemia de febre amarela, em Campinas (Foto: Acervo MIS Campinas)

Segundo o historiador Jorge de Alves Lima, a maior cidade do interior na época, vivia uma efervescência política, mas era atrasada na quesito saúde pública. “As pessoas despejavam todos os detritos fecais, o lixo, as imundícies, eram todas colocadas em praça”, afirma.

No entanto, Lima conta que a falta de higiene era um problema cultural, mas não só do município. No Rio Janeiro e Santos, devido às péssimas condições sanitárias, nessa mesma época, a epidemia de febre amarela avançava e fazia vítimas.

Campinas não ficou imune e teve seu desenvolvimento interrompido pela chegada de trem da doença em 1889. Do litoral, o vírus desembarcou na cidade com um poder devastador.

“O mosquito veio aboletado nas malas, nos bagageiros dos trens que vinham para Campinas”, afirma.

Historiador fala sobre epidemia de febre amarela que matou mais de 3 mil pessoas em Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)Historiador fala sobre epidemia de febre amarela que matou mais de 3 mil pessoas em Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Historiador fala sobre epidemia de febre amarela que matou mais de 3 mil pessoas em Campinas (Foto: Reprodução/ EPTV)

Nessa época, o mosquito era um assassino misterioso. O tempo corria e a doença se espalhava de forma silenciosa. A epidemia avançava rapidamente o os hospitais não tinham estrutura para atender tantos doentes. Todos os dias os jornais da época atualizam o número de mortos. A demanda era tão grande que os corpos demoravam para serem enterrados, alguns ficavam jogados nas ruas.

A maior parte das vítimas da doença está enterrada no Cemitério da Saudade, que era conhecido nesse período como Cemitério do Fundão.

“O governo municipal teve que adquirir a área do lado direito, da entrada, e a área do lado esquerdo, para ampliar o campo onde podia sepultar as vítimas”, ressalta Lima.

A doença arrasou Campinas. Segundo o historiador, foram três mil mortos no município, num período de nove anos e seis epidemias entre 1889 e 1897.

Casos de febre amarela silvestre reaparecem em Delfinópolis (Foto: Reprodução/ EPTV)Casos de febre amarela silvestre reaparecem em Delfinópolis (Foto: Reprodução/ EPTV)

Casos de febre amarela silvestre reaparecem em Delfinópolis (Foto: Reprodução/ EPTV)

Em 2017, 128 anos depois, a febre amarela volta a assustar. Mas, a doença ressurgiu na forma silvestre. “O vírus da febre amarela silvestre é o mesmo da urbana, o que muda é o vetor”, explica o infectologista André Ribas. Desde 1942 não há casos do tipo urbano no Brasil.

E o mosquito é o único vilão, já que os macacos não transmitem a febre amarela. São vítimas como o ser humano. E aparecem mortos primeiro, por isso, tem papel importante para impedir o avanço da doença.

O perigo é quando não aparece macaco morto ou ninguém notifica o óbito deles para o controle de zoonoses e o vírus já está presente. Foi o que aconteceu em Delfinópolis (MG).

No município ninguém podia imaginar que a febre amarela se escondia nas belezas naturais da cidade. Quatro pessoas que frequentaram matas e cachoeiras dessa região pegaram a doença, três morreram. Uma das vítimas foi Joversi Santos Guardia, de 47 anos. Ela morava em Paulínia.

Após as mortes, a reação das autoridades sanitárias de Delfinópolis, que tem cerca de 7 mil habitantes, foi imediata. O município fez bloqueio e vacinação da população. Foi um período de pânico, especialmente pelo passado da região, que já sofreu com a doença há mais de 100 anos.

No pé da Serra do Cemitério, que tem esse nome pelos corpos que estão lá enterrados, cruzes relembram as vítimas que morreram em decorrência da febre amarela no passado. Uma marca que o tempo não apaga na memória da população.

Na segunda reportagem, na terça-feira (16), você vai conhecer a história dramática de um casal que foi separado pela febre amarela, além de detalhes de como a epidemia se espalhou pelo município.

Cemitério na serra de MG onde vítimas de febre amarela foram enterradas há mais de 100 anos (Foto: Reprodução/ EPTV)Cemitério na serra de MG onde vítimas de febre amarela foram enterradas há mais de 100 anos (Foto: Reprodução/ EPTV)

Cemitério na serra de MG onde vítimas de febre amarela foram enterradas há mais de 100 anos (Foto: Reprodução/ EPTV)



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