Pesquisadores do IPT criam dispositivo móvel que mapeia qualidade do ar em SP | São Paulo

Pesquisadores do IPT criam dispositivo móvel que mapeia qualidade do ar em SP | São Paulo
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Pesquisadores e equipamento responsável pela coleta do ar, sobre o carro (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)Pesquisadores e equipamento responsável pela coleta do ar, sobre o carro (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Pesquisadores e equipamento responsável pela coleta do ar, sobre o carro (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveu um dispositivo móvel que avalia a qualidade do ar para complementar o trabalho desenvolvidos nas estações meteorológicas da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), o órgão oficial de monitoramento. De acordo com os pesquisadores, o dispositivo é cem vezes mais econômico do que a construção de novas estações e sua implementação na cidade seria menos burocrática.

O pesquisador Alessandro Santiago dos Santos, um dos responsáveis pela realização do estudo e do produto, disse ao G1 que o dispositivo é um equipamento mais simples do que uma estação inteira, mas que pode ser uma solução ao poder público que não puder investir na expansão da rede da Cetesb.

“Uma estação de monitoramento tem um custo que varia entre US$ 350 mil e US$ 500 mil. Evidentemente, o equipamento que desenvolvemos não tem toda a precisão de uma estação, mas tem o custo de US$ 5 mil e manutenção mais simples. Seria um instrumento complementar aonde ainda não temos estações”, explica Alessandro Santiago.

De acordo com o pesquisador, a capital paulista tem 17 estações para coletar o ar e identificar sua qualidade, mas a quantidade ainda é insuficiente, considerado o tamanho da cidade. Há ainda outras 13 estações em outros municípios do estado de São Paulo.

O equipamento móvel tem o tamanho e o peso de uma caixa de sapato. Ele coleta amostras de ar a cada 30 segundos e faz medições das concentrações de CO, ozônio e NO2, além de dados sobre temperatura, pressão e umidade. Um GPS é também instalado para informar o posicionamento do veículo.

A sugestão dos profissionais que o desenvolveram é de que ele seja instalado em cima de ônibus de transporte coletivo, que possuem rotas regulares, o que possibilitaria a criação de mapas mais precisos.

O responsável pela instalação do equipamento seria o gestor público. Segundo o pesquisador Alessandro Santiago, o protótipo inclusive já foi apresentado para gestoras de ônibus e do governo.

O IPT não vende produtos, mas presta o serviço de pesquisa e desenvolvimento. Uma vez que as equipes concebem e patenteiam um equipamento, qualquer empresa pode montá-lo.

Camada de poluição é vista sobre a região dos Jardins, em São Paulo, após mais de 45 deias sem chuva na cidade (Foto: Aloísio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo)Camada de poluição é vista sobre a região dos Jardins, em São Paulo, após mais de 45 deias sem chuva na cidade (Foto: Aloísio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Camada de poluição é vista sobre a região dos Jardins, em São Paulo, após mais de 45 deias sem chuva na cidade (Foto: Aloísio Mauricio/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Teste na Avenida Paulista

Há uma estação de monitoramento da qualidade do ar da Cetesb dentro da Faculdade de Medicina da USP, em Cerqueira César. Ela possui uma cobertura limitada e, por essa razão, os pesquisadores resolveram testar o protótipo na Avenida Paulista.

Veículos foram equipados com o dispositivo e circularam em sete dias na via, entre 2016 e 2017, para obtenção de um parâmetro de comparação. Os pesquisadores monitoraram a qualidade do ar tanto em uma sexta-feira, que é um dia de intenso fluxo de veículos e poluentes, quanto em um domingo, com a Avenida Paulista fechada para carros e o dispositivo anexado a uma bicicleta.

“Alguns aspectos nos chamaram a atenção. Foi possível perceber, por exemplo, que próximo ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) costuma ter um alto índice de poluentes. Isso, talvez, porque fica sobre o túnel da Avenida Nove de Julho, que pode funcionar como uma espécie de chaminé”, ”, explica Alessandro Santiago. “O acúmulo de poluentes pode ser devido a diversos fatores, como a direção do vento, a ausência de chuva ou se a rua é estreita e cercada por grandes prédios, por exemplo”, continua.

Mapeamento da qualidade do ar na Avenida Paulista em um dia de sábado, durante uma carreata de ônibus elétricos (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)Mapeamento da qualidade do ar na Avenida Paulista em um dia de sábado, durante uma carreata de ônibus elétricos (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Mapeamento da qualidade do ar na Avenida Paulista em um dia de sábado, durante uma carreata de ônibus elétricos (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Por que monitorar a qualidade do ar?

Segundo o pesquisado Alessandro Santiago, o dispositivo permitiria um mapeamento das áreas mais poluídas e, consequentemente, o desenvolvimento de políticas públicas para melhorar a qualidade do ar nessas regiões específicas.

“Por meio do mapeamento, você descobre quem tem uma esquina onde há mais emissão de poluentes. Dessa forma, você pode arborizar ali, implementar o uso de um transporte menos poluente na região ou alterar rotas de trânsito, por exemplo. O instrumento ajuda a definir políticas para minimizar aquele efeito”, afirma.

Ele diz que algumas cidades do mundo também pesquisam alternativas de monitoramento móvel da qualidade do ar, como Santander, na Espanha, conhecida como uma cidade inteligente por conta da tecnologia que aplica no tratamento do ar, do lixo, do trânsito e da iluminação pública.

Sugestão dos profissionais que desenvolveram dispositivo é de que ele seja instalado em cima de ônibus de transporte coletivo, que possuem rotas regulares (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)Sugestão dos profissionais que desenvolveram dispositivo é de que ele seja instalado em cima de ônibus de transporte coletivo, que possuem rotas regulares (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Sugestão dos profissionais que desenvolveram dispositivo é de que ele seja instalado em cima de ônibus de transporte coletivo, que possuem rotas regulares (Foto: Divulgação/Instituto de Pesquisas Tecnológicas)



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