“Curitiba gerou Bolsonaro, tem germe do fascismo”, diz Gilmar Mendes

Ministro relata combinações feitas por procuradores e o juiz Sérgio Moro no processo contra Lula
Redação BR24h.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na noite desta segunda-feira, dia 08, que “Curitiba gerou Bolsonaro. Curitiba tem o germe do fascismo”. A afirmação foi feita em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura.

Na entrevista, Mendes foi questionado pelo jornalista João Almeida Moreira, do “Diário de Notícias”, jornal português sediado em Lisboa, se diante do que se sabe do bolsonarismo, dos dados tornados públicos pela “Vaza Jato”, da relação entre o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se o ministro não se arrependia de ter suspendido a posse de Lula como ministro da Casa Civil do governo Dilma Rousseff em 2016. “Não tenho [arrependimento]. Naquele momento eu tinha a convicção de que de fato havia um desvio de finalidade”, disse Mendes.

O ministro trata como fundamental diante da pergunta os efeitos da “República de Curitiba”, liderada pelo então juiz Sérgio Moro na operação Lava Jato. “Curitiba gerou Bolsonaro. Curitiba tem o germe do fascismo. Inclusive, todas as práticas que desenvolvem. Investigações sorrelfas, atípicas, não precisa dizer mais nada. A combinação. Não é por acaso que os procuradores – talvez até por uma falta de cultura – dizem assim: ‘nós aplicamos aqui o Código Processual Penal do Russo [apelido de Moro]. Talvez eles quisessem dizer o soviético. Da Rússia Soviética. Mas o Moro tem o Códido Penal dele próprio. E eles faziam esse tipo de comentário”, relatou Mendes.

O ministro lembrou com base em dados da “Vaza Jato” que os procuradores e o juiz combinavam atos processuais contra Lula. “Os procuradores eram parceiros. A denúncia contra o Lula era combinada com o Moro. E disseram que isso era um pecadilho. Que pecadilho? Isso é de uma gravidade enorme. O procurador combinar com o juiz, o juiz aconselhar. ‘Olha, não esqueça de tal..”, disse Mendes.

O ministro lembrou que a delação de Antônio Palocci foi vazada por Sérgio Moro seis dias antes do primeiro turno das eleições de 2018. “Participa portanto do processo. Assume posição a favor da extrema direita de maneira muito clara”, completou Mendes.

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